A cada 40 alunos de engenharia da Universidade Federal do PiauĂ­, apenas 15 se formam

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No Brasil, a cada 175 alunos que ingressam nos cursos superiores de engenharia, apenas 95 concluem. De acordo com o Censo da Educação Superior, mais de 2.400 alunos ingressaram em cursos de engenharia no estado do Piauí, em 2017. Em contrapartida, cerca de 1.900 desistiram da graduação e trocaram de curso, trancaram a matrícula ou se desvincularam da universidade.
Na Universidade Federal do Piauí (UFPI), por ano, 10% dos alunos deixam os cursos de engenharia. Mas segundo a diretora do Centro de Tecnologia da UFPI, Nícia Formiga, a retenção também é um problema. De cada turma com 40 alunos, apenas 15 se formam. Segundo Nícia, a desistência dos alunos e as reprovações ocorrem devido à falta de disciplinas mais específicas e práticas no início do curso, o que dificulta o entendimento sobre o que é a profissão e o que realmente faz um engenheiro, e acaba desestimulando os estudantes.
“Quando eles chegam na parte mais profissional, Ă© quando eles realmente conseguem entender o curso em que estĂŁo e melhora atĂ© o desempenho deles nas disciplinas. A prática, e esse entendimento da profissĂŁo que vocĂŞ vai seguir, se começasse desde os primeiros anos do curso, nĂŁo sĂł sendo sĂł as básicas, melhoraria sim essa compreensĂŁo e eles permaneceriam no curso que escolheram.”
Para a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, o alto índice de desistência nas áreas de engenharia mostra a fragilidade e a necessidade da modernização do ensino, que, segundo ela, ainda segue o modelo idealizado há mais de 30 anos.
“O mundo está mudando muito rapidamente e a gente precisa preparar os nossos profissionais, os nossos engenheiros, para enfrentar esses desafios que já estĂŁo colocados aqui. Se a gente nĂŁo tiver engenheiros preparados para os impactos dessa revolução digital, a gente nĂŁo vai conseguir ser um paĂ­s competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população.”
A CNI encaminhou, aos candidatos à presidência da República, propostas para a atualização do currículo dos cursos de engenharia. A modernização das diretrizes curriculares e metodologias, aprimoramento do sistema de avaliação e a valorização do trabalho dos docentes estão entre as principais propostas da indústria para o Brasil crescer.
Reportagem, Aline Dias